Especialistas analisam como o descontrole fiscal impulsionou o colapso de grandes empresas no Brasil
Recuperações judiciais atingem número recorde no Brasil; juros altos e gastos governamentais asfixiam até gigantes como Casas Bahia e Braskem

📊 Os números da crise
- 📈 6.341 empresas em recuperação judicial — maior número desde 2023
- 💰 R$ 180 bilhões em dívidas envolvidas em processos judiciais e extrajudiciais
- ⬆️ Crescimento de 6,2% em apenas seis meses
- 🌾 Salto de 21,4% no agronegócio em seis meses (66% em um ano)
- 💳 R$ 1 trilhão gastos em juros da dívida nos últimos doze meses

🏢 Quem quebra e por quê
Varejo, agronegócio e indústria de transformação concentram a maioria dos casos. O economista Túlio Marques identifica um padrão: empresas se endividaram quando os juros estavam baixos, antes da pandemia, e não conseguiram se adaptar ao salto da Selic para 14% ao ano. “O que estamos vendo é a combinação de erros estratégicos das próprias empresas com um momento ruim da economia”, afirma. Casas Bahia protocolou recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas; Raízen reestruturou aproximadamente R$ 61,4 bilhões; Braskem negocia cerca de US$ 10,9 bilhões.
💬 “O problema não é o peixe que está com muita sede no lago. O problema é o lago que está secando”
— Rodrigo Marcial, vereador e economista


⚖️ A raiz do problema segundo analistas
- 💸 Juros reais altos — Brasil possui um dos maiores do planeta, sufocando empresas endividadas
- 📉 Consumo em retração — famílias cortam gastos, reduzindo demanda
- 🏛️ Gastos governamentais descontrolados — apesar de arrecadar recordes, o governo gasta mais do que recebe, elevando demanda por crédito
- 📋 Insegurança institucional — decisões monocráticas e mudança de regras no meio do jogo afastam investimentos
- 🔴 Inflação persistente — meta de 3% não atingida em nenhum ano do mandato

Luis Artur Nogueira, economista, é direto: “O governo Lula bate recorde de empresas em recuperação judicial por culpa dele mesmo: é um governo gastador e inflacionário, que obriga o Banco Central a manter juros altos. Esses juros matam as empresas”. Mauricio Marcon, deputado federal, resume a perspectiva: “As pessoas estão vendo que produzir no Brasil é para maluco”.
🔭 O legado para o próximo governo
O próximo presidente herdará não apenas recordes de empresas em crise, mas uma dívida pública crescente e uma bomba fiscal cujo estopim já foi aceso. A onda de 2026 não envolve apenas pequenos negócios — marca gigantes tradicionais e líderes industriais que, após anos de expansão agressiva, esbarraram no custo elevado do crédito. Enquanto o governo continua demandando crédito em volume elevado, o setor produtivo paga o preço de uma política econômica que prioriza gastos sobre sustentabilidade.
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